Uma das boas notícias que a eleição de 2026 já nos trouxe, com a etapa encerrada no primeiro turno, foi o aumento da presença de mulheres ocupando cargos eletivos nas futuras composições, especialmente nos parlamentos estaduais e federal. No caso do Ceará deu-se um fato ainda mais auspicioso com o registro de que a nossa Assembleia Legislativa terá, a partir de 2027, a maior bancada feminina de todo o País.

Um registro que merece nossa comemoração, mas que também exige uma reflexão pelo lado qualitativo. Não basta apenas termos mais mulheres ocupando cargos públicos, aos quais chegam pelo voto popular, parecendo igualmente importante que a chegada delas em maior número represente um equilíbrio objetivo no debate relacionado à necessidade de termos uma sociedade que não discrimine ninguém pelo seu gênero ou qualquer outra característica identitária que apresente.

Seria um erro cobrar das 14 deputadas que integrarão a futura Assembleia, aumento de 55% no comparativo com a atual legislatura, uma postura em seus mandatos de defesa do femininismo no seu sentido mais estrito. Acontece que a pauta da mulher vai além disso e, em essência, dispensa conceitos de direita ou esquerda, enfim, não precisa de razão ideológica por trás para ser defendida.

O mesmo vale para as cinco mulheres eleitas para a Câmara Federal, dentre 22 representantes que para lá enviamos. Aumento mais discreto, considerando que hoje são três, embora importante na perspectiva de se alinhar com outros movimentos positivos semelhantes.

Por exemplo, a vitória da deputada federal Luizianne Lins (Rede) na disputa por uma das duas vagas no Senado que serão renovadas, feito que interrompe um vácuo político que vinha desde o fim do mandato de Patrícia Saboya, em 2011. E que era amenizado, nos últimos anos, pela presença na Casa da ex-deputada Augusta Brito, na condição de suplente de Camilo Santana, substituindo-o enquanto ele esteve afastado para comandar o Ministério da Educação, entre os anos de 2023 e o começo de 2026.

O fato é que existe uma reparação a ser feita diante do quadro injusto que há prevalecido uma eleição após a outra. A Assembleia na qual celebramos os bons resultados de agora, numa perspectiva de futuro breve, apresenta hoje, para se ter uma ideia, a primeira deputada ocupando o cargo de 1ª vice-presidente de sua mesa diretora, na pessoa da deputada Larissa Gaspar (PT). Em mais de 190 anos de história, o que dimensiona bem o tamanho do problema.

Destaque-se, pra finalizar, que também é mulher a vice-governadora eleita, Gabriella Aguiar (PSD), o que demonstra que há, no balanço da disputa ainda em curso no plano nacional, uma presença geral razoavelmente alinhada com o fato de ser feminino mais da metade do eleitorado. A consciência dessa força quantitativa, agora, precisa ser transformada em ação concreta no sentido de serem corrigidas injustiças que se perpetuam a partir de uma falsa ideia de fragilidade. O primeiro passo está dado, mesmo que ainda com uma certa timidez.

 

A mulher mais presente na política do Ceará

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