O negócio secreto de André e Epstein na China – Observador

No meio do furacão de novas notícias que ligavam André a Epstein, o ex-príncipe demitiu-se da função de representante do Governo britânico em julho. Contudo, a negociação para a empresa na China continuou. Em fevereiro de 2011 Stern sugere o nome Witan. “O que achas? PA gosta e já que não sabia o que era quando lhe falei, acho que é seguro”. Na sequência o investidor alemão descreve o significado da palavra. “Witan, também chamado Witenagemot entre os séculos VII a XI, era o conselho dos reis anglo-saxónicos em Inglaterra. A sua função essencial era aconselhar o rei sobre todos os assuntos sobre os quais desejasse consultar. Atestava as suas concessões de terras a igrejas ou leigos, consentia a promulgação de novas leis ou novas declarações de costumes antigos e ajudava-o a lidar com rebeldes e pessoas suspeitas de desafeição. A sua composição e horário de reunião eram determinados pelo desejo do rei. Geralmente frequentado pelos nobres mais importantes e pelos bispos, o Witan não era, de todo, uma assembleia popular.”

Noutro email de abril, que tem o remetente rasurado pelo Departamento de Justiça norte-americano, mas que será de David Stern, lê-se: “Mudei o nome da minha empresa no Reino Unido hoje de “Asia Gateway Ltd” para “Witan Group Ltd”. Ok?” Já em maio, Stern envia novas informações sobre a empresa. “Para o escritório da Witan em Pequim, irei contratar analistas. Necessito de preparar uma descrição da empresa que também poderá ser utilizada posteriormente. O que pensa deste rascunho (precisa de ajustes…)?”, escreve o investidor alemão, que a seguir envia sugestões que definem o negócio como “uma empresa de investimento independente e privada que oferece gestão de investimentos e consultoria corporativa em todo o mundo”, destacando que “a empresa opera discretamente e possui uma rede global incomparável”. Epstein passou a receber emails oficiais de uma conta da Witan Group em julho de 2011 — entretanto, os registos financeiros apontam para o estabelecimento oficial da empresa apenas em agosto de 2012. Nem Epstein nem André aparecem em documentos financeiros relacionados com a empresa, que foi dissolvida em outubro de 2019.

De recordar que nesta altura André trabalhava ativamente na Pitch@Palace — em 2017 o ex-príncipe estabeleceu a rede na China, e nomeou como responsável Yang Tengbo, que foi expulso do território britânico por ser considerado um “espião” chinês. A organização foi estabelecida como sendo “sem fins lucrativos”, contudo, com o afastamento de André das atividades oficiais da realeza em 2019, a iniciativa perdeu a relevância. Num depoimento de 2023 no âmbito da investigação a Yang Tengbo, o cidadão chinês fala sobre “ressuscitar a Pitch@Palace com uma nova marca e nome, Innovate Global. Discussões estão em curso com potenciais parceiros para eventos em países como Japão, Malásia, Thailândia, Emirados Árabes e China. Não há planos de eventos no Reino Unido”. Durante este período, André também partilhou com Epstein detalhes das suas viagens oficiais como enviado comercial do Reino Unido. Em novembro de 2010, os registos mostram que demorou apenas 5 minutos para encaminhar ao criminoso sexual um relatório enviado pelo seu assistente especial, Amit Patel, acerca das discussões realizadas durante visitas a Hong Kong, Singapura, Vietname e China.