A boiada veio em comboio. Os deputados também avançaram em propostas para esvaziar a capacidade de fiscalização ambiental, limitando o uso de tecnologias remotas pelo Ibama e enfraquecendo mecanismos modernos de monitoramento do desmatamento. Ao mesmo tempo, transferiram atribuições ambientais para o Ministério da Agricultura e abriram brechas para facilitar a destruição de campos naturais em diferentes biomas brasileiros. Tudo embalado no velho discurso da “desburocratização”, que frequentemente significa apenas retirar obstáculos para quem lucra devastando patrimônio público.
É o mesmo roteiro de sempre: chamam grilagem de regularização fundiária, destruição ambiental de desenvolvimento e desmonte do Estado de modernização.
A votação sobre Jamanxim ocorreu em ritmo de atropelamento legislativo. Enquanto isso, em outra frente, deputados cuidavam de si mesmos e não de seus patrocinadores.
Deputados aprovaram uma minirreforma eleitoral que, na prática, funciona como um programa de anistia e autoproteção da classe política. Partidos poderão renegociar em até 15 anos dívidas relacionadas ao descumprimento de regras eleitorais. Parlamentares também flexibilizaram regras para disparos em massa de mensagens, institucionalizando mecanismos de assédio digital ao eleitorado que ajudaram a degradar o debate público brasileiro nos últimos anos. E não parou aí.
O Congresso derrubou vetos presidenciais para permitir repasses e doações a municípios em pleno ano eleitoral, inclusive para cidades inadimplentes. A medida facilita o fluxo de verbas, emendas e benefícios exatamente no período em que a máquina pública historicamente é usada para produzir fidelidade política.
Claro que tudo vem embalado em justificativas técnicas, municipalistas e burocráticas. Mas a história brasileira já ensinou o suficiente sobre como dinheiro público distribuído sem controle em ano eleitoral costuma funcionar no mundo real.